Juntos por mais futuro.


  • Sede | Forum Energia e Clima
  • BioBip - Campus Politécnico de Portalegre, 10
    7300-555 Portalegre - Portugal
  • T: +351 245 301 555
  • E: geral@energiaeclima.org

"A ideia é ter uma voz liderante e em português"


O Fórum de Energia e Clima, que acaba de ser criado, pretende tornar-se numa voz, e em português, na liderança do combate às alterações climáticas. Por agora, o enfoque é na Lusofonia mas a ideia é abranger mais territórios.

"Optámos por criar o fórum com os Estados-membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, mas não o restringimos à Lusofonia. A vitória da crise climática tem de envolver todas as nações do mundo", realça o mentor e um dos membros fundadores, Ricardo Campos. A ideia surgiu no ano passado porque, afirma, é premente reverter o aquecimento global, e transitar para as energias renováveis e para uma economia sustentável. "A crise climática só se vai resolver quando conseguirmos diminuir a dependência dos combustíveis fósseis e isso faz-se através de uma aceleração para as energias renováveis", alerta.

A meta é cumprir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas e o Acordo de Paris de 2015 sobre as alterações climáticas. "Coube à nossa geração este desafio. Estamos a atravessar um período que é absolutamente crucial até 2030 para reduzirmos as emissões de carbono e fazermos tudo para reduzir o aumento da temperatura um grau e meio até 2050, que é crucial para que passemos às próximas gerações um planeta saudável e habitável", sensibiliza o engenheiro que também faz parte associação The Climate Reality Project, do Prémio Nobel da Paz em 2007 e ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore.

Prioridades

Ricardo Campos explica que o fórum vai agir em várias frentes, mas destaca o trabalho na área da informação e sensibilização, que será a prioridade. "É um movimento da sociedade civil. Temos a convicção de que as coisas devem ser feitas de baixo para cima", frisa. Neste sentido, o engenheiro fala daquele que, por agora, é o grande projeto do grupo: Os Guardiões, que tem as escolas como palco. "Fazemos um trabalho muito próximo dos alunos no sentido de os informar e sensibilizar. A ambição é levar a comunidade mais jovem a tornar-se guardiã da vida e do planeta, irem passando a mensagem e terem ferramentas para agirem no seu dia-a-dia", explica.

Além deste, o fundador refere também o Otchiva, que visa a recuperação dos mangais e dos sapais, no caso português. O projeto, já em curso em três províncias de Angola, vai agora ser implementado na zona central de Moçambique e em Portugal. "São zonas muito importantes em termos de biodiversidade e são zonas às quais também queremos adicionar uma componente de florestação e de manutenção porque a floresta desempenha um papel muito importante na absorção do carbono", avisa.

Campos sublinha que há também a ambição de incentivar e ensinar as pessoas a produzir a própria energia, e o desígnio de conseguir estimular a utilização de energia renovável e fazer com que haja uma menor dependência do carvão, petróleo e gás natural. "Em países com menos necessidades energéticas, a microgeração [produzir eletricidade para vendê-la em pequena escala] pode ser uma solução. Depois, tudo o que seja feito na área dos sumidouros de carbono é muito positivo e transversal, assim como a economia circular", exemplifica. Os resíduos, refere, é outro dos problemas a resolver e por isso, reforça, o projeto Guardiões é tão importante. "Porque vamos ter com as pessoas e explicamos o que cada um pode fazer no dia-a-dia para ajudar. Para um cidadão que esteja em Lisboa ou em São Paulo é muito fácil apelar à utilização do transporte público e a que façam a separação de resíduos porque sabemos que o sistema funciona. Num país em que não há essa rede, não faz muito sentido estmular esse tipo de projetos e portanto estamos a trabalhar muito mais na sensibilização e na economia circular", esclarece.

Lusofonia

Este será um dos principais traços do fórum: o de replicar projetos nos diferentes territórios lusófonos respeitando as especificidades de cada um. Ricardo Campos consente que existem assimetrias, ao nível dos recursos e características dos países, mas ressalva: "Não vejo isso como uma adversidade mas sim como uma vantagem para chegarmos e tocarmos em mais pessoas e territórios. Essa heterogeneidade é que faz com que haja mais motivação e se procurem soluções".

O engenheiro aproveita para desconstruir a imagem de subdesenvolvimento associada a territórios fora da Europa no âmbito da sustentabilidade. Refere que em Portugal 56 por cento da energia já é renovável, mas salienta que, por exemplo, Cabo Verde dá passos importantes, apesar de por enquanto só vinte por cento da energia ser renovável. "É dos países mais ambiciosos no Acordo de Paris, sobretudo pela dificuldade de não poder importar nem exportar energia."

Campos faz questão de reforçar o elemento comum: a língua, que facilita a comunicação, e que foi um dos principais motivos que fez com que o fórum tivesse como base os territórios lusófonos. "A ideia da Lusofonia deve-se aos laços que nos unem, e pela dimensão geográfica e territorial que estes países têm. Temos países de língua portuguesa em praticamente todos os continentes do mundo", reforça. "A ideia é ter uma voz liderante e em português."

Alargar horizontes

Ainda assim, Macau ficou de fora. "Demos esse sinal logo no dia do lançamento: o fórum não se restringe à Lusofonia", salienta. E prova com a plantação de uma floresta urbana em Portalegre - aquando do lançamento a 31 de janeiro no Instituto Politécnico - que engloba 40 nacionalidades. "Uma das bandeiras que lá está é a de Macau, plantada por uma pessoa de Macau", realça.

Além do alargamento geográfico, o fórum pretende também incluir mais entidades sobretudo universidades. "Daí a nossa sediação numa instituição de ensino superior, neste caso no Instituto Politécnico de Portalegre. O objetivo é trazermos a ciência para os nossos projetos e desenvolvermos ideias com a ajuda das universidades", afirma. Por enquanto, o fórum vive de donativos, mas a ideia é firmar parcerias com entidades do ensino superior e outras, e conseguir financiamento junto de organismos como o Banco Mundial, União Europeia e União Africana.

Publicado por: Plataforma ( https://www.plataformamedia.com/pt-pt/noticias/sociedade/a-ideia-e-ter-uma-voz-liderante-e-em-portugues-11820798.html )

Comentários

  • José Manuel Pereira da Silva
    04-03-2020

    A maior preocupação são os oceanos



 Declaro que autorizo a utilização dos meus dados pessoais para efeitos comerciais e de marketing.